Arteriopunção para pressão arterial invasiva em cães

Durante a anestesia, a monitoração da pressão arterial é de suma importância para entendermos como está a perfusão dos órgãos. A técnica mais fácil de monitoração é a não invasiva, seja por doppler arterial ou monitor oscilométrico. Porém, esse tipo de mensuração não é tão preciso quanto necessário, especialmente em situações de vasocontrição ou hipotensão. Assim, o método invasivo (arteriopunção) é o padrão-ouro de monitoração da pressão arterial. Em cães e gatos as artérias mais comuns para punção são a podal dorsal e femoral. A depender da raça do cão também podemos puncionar a auricular, mas ela geralmente subestima a pressão. Deixamos a arteriopunção auricular para ruminantes e suínos.

Nesse vídeo demonstramos a técnica de arteriopunção para avaliação da PA invasiva em cães. Além disso, destacamos as diferenças entre as mensurações das pressões invasiva e não invasiva. Após a arteriopunção, é conectado um extensor rígido preenchido com solução heparinizada. Podemos acoplar uma torneira de três vias para facilitar possíveis colheitas de sangue arterial para hemogasometria. Esse extensor é então conectado a um transdutor de pressão, o qual está ligado ao monitor multiparamétrico.

Um detalhe importante é a posição do transdutor, o qual deve estar na altura do coração, para não subestimar (se estiver acima) ou superestimar a PA (se estiver abaixo da linha do coração). Depois devemos “zerar” o transdutor de PA, para equalizarmos o sistema (altura e pressão). Isso é feito fechando a via do paciente e deixando a linha de pressão aberta para o ar ambiente. Assim equalizamos a pressão do sistema à pressão atmosférica. Em seguida, zeramos a linha pelo próprio monitor de pressão. Feito isso, podemos abrir a via para o paciente e, assim, teremos a mensuração correta da PA.

Nesse vídeo ainda podemos verificar as diferenças entre a PA invasiva e não invasiva que, na situação em questão, apresenta valores de PA não invasiva mais baixos que a invasiva. Vários fatores podem influenciar isso, como: precisão na mensuração invasiva, manguito utilizado com tamanho inadequado ou um pouco frouxo.

Pressão arterial invasiva, o padrão-ouro

Como já dissemos, a PA invasiva é considerada o padrão-ouro da monitoração da pressão arterial. Ela nos dá valores precisos e constantes, de acordo com cada pulso pressórico, mesmo em casos de hipotensão. Um detalhe importante, e novamente ressaltado: A PA só será fidedigna se o transdutor de pressão estiver calibrado e zerado na altura do coração. Por outro lado, podemos ter casos de hemorragia, contaminação e embolia. Mas tudo isso pode ser evitado com o cuidado necessário.


Pressão arterial não invasiva, facilidade à mão

A mensuração da pressão arterial não invasiva é um excelente método de avaliação da PA na grande maioria dos pacientes, seja nos sedados, hígidos, em cirurgias de baixa complexidade e em bloqueios locorregionais. Geralmente esses pacientes mantêm pressão arterial próxima dos limites fisiológicos então, tanto o método oscilométrico (mostrado no vídeo), como o doppler arterial são confiáveis. Porém, vale lembrar que o manguito utilizado deve ter largura adequada, aproximadamente 40% da circunferência do membro. Por ser um método não invasivo, não há lesão tecidual e não há necessidade de muita experiência para aplicar a técnica. Como desvantagens temos que a PA não invasiva é mensurada em ciclos (por exemplo a cada 3 minutos), pode nos dar resultados imprecisos e, em casos de hipotensão severa ou mesmo uso de agonistas alfa2 pode ser que não consigamos mensurar a PA, em decorrência da vasoconstrição.


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