Monitoração Anestésica – Anestesia é o Básico #13

Olá tripulantes do NAVE, tudo bem? Nessa aula da webserie Anestesia é o Básico vamos conversar sobre a “Monitoração Anestésica”. O sucesso da anestesia está intimamente ligado à adequada monitoração.

Essa deve ser baseada na avaliação do profundidade anestésica, dos parâmetros cardiovasculares, pulmonares e de termorregulação. Há muitos parâmetros importantes na monitoração, mas aqui nós vamos abordar os fundamentais, e essenciais, para que possamos realizar uma anestesia segura.

Profundidade Anestésica

A avaliação da profundidade anestésica pode ser determinada sempre que o paciente é submetido a anestesia geral. Esse padrão foi estabelecido por Guedel, no início do século XX, e é dividido em 4 estágios. O estágio 3 é subdividido em 4 planos, sendo os 2 e 3 considerados planos cirúrgicos. Atualmente nós seguimos uma nomenclatura um pouco mais flexível, dividindo o estágio 3 em planos superficial, adequado e profundo. Para isso, utilizamos a avaliação dos reflexos protetores e alterações cardiovasculares. Neste link você pode ver com mais detalhes as características de cada plano anestésico.

Fonte: Massone F. Planos Anestésicos. In: ___ Anestesiologia Veterinária, 7ª ed. 2019, p. 23.

Monitoração Cardiovascular

A monitoração básica contempla a FC, o traçado eletrocardiográfico e a PA. A FC pode ser obtida de diversos métodos, mas o melhor é pelo ECG, o qual fornecerá a FC e o ritmo ao mesmo tempo. Porém, é fundamental que a PA sempre seja monitorada, pois assim teremos valores da atividade elétrica e da ejeção de sangue pelo coração.

O padrão-ouro de monitoração da PA é o invasivo, em que necessitamos realizar arteriopunção. Esse método nos dará valores contínuos e precisos de PA. Também podemos monitorar a PA de modo não invasivo, via sistema oscilométrico ou doppler arterial. Nesse caso, a metodologia é mais fácil e rápida, mas os valores não são contínuos e podemos ter erros de leitura. Outros parâmetros avaliados são o DC, PVC e DeltaPP.



Monitoração Pulmonar

A monitoração básica contempla a FR, a SpO2 e a ETCO2. A SpO2 é um método fácil e prático de monitoração, que fornece a % de hemácias com O2. Valores abaixo de 94% já indicam hipóxia, o que pode estar associado a quadros de hipoxemia. O ETCO2 é outro parâmetro muito importante, pois está intimamente relacionado à PaCO2 mas, diferente desse último, o ETCO2 é obtido de modo fácil e contínuo. Ainda podemos avaliar a capnografia que, dependendo do formato da curva, pode nos indicar alterações no padrão respiratório. Outros parâmetros avaliados são a ventilometria e hemogasometria.


Temperatura

A temperatura por vezes é negligenciada mas é muito importante também. Quadros de hipotermia culminam em depressão cardiovascular, diminuição do metabolismo cerebral e retardo na recuperação anestésica. Por outro lado, hipertermia pode promover aumento do metabolismo e elevação no consumo de O2. O correto, obviamente, é mantermos o paciente em normotermia.

Há outros tipos de monitoração, como já citadas aqui, além do débito urinário, lactato, índice bispectral dentre outros. Entretanto, o mais importante é que seja conhecida a fisiopatologia do paciente, o mecanismo de ação dos medicamentos utilizados no protocolo anestésico e os dados fisiológicos obtidos na monitoração, para que possamos manter o mesmo em anestesia adequada e pouca depressão cardiopulmonar.

Veja o vídeo para mais detalhes!


Pra ler depois
Quadro de Estágios e Planos Anestésicos em Animais Domésticos
– Carregaro AB, Silva ANE. Monitoração Anestésica. In: Luna SPL, Carregaro, AB. Anestesia e Analgesia de Equideos, Ruminantes e Suínos. 247-280, 2019.
– Cerejo et al. Effects of cuff size and position on the agreement between arterial blood pressure measured by Doppler ultrasound and through a dorsal pedal artery catheter in anesthetized cats. Vet Anaesth Analg, 47:191-199, 2020.
– Flaherty D, Musk G. Anaesthetic monitoring equipment for small animals. In Practice, 27:512-521, 2005.
– Garofalo et al. Agreement between direct, oscillometric and Doppler ultrasound blood pressures using three different cuff positions in anesthetized dogs. Vet Anaesth Analg, 39:324-334, 2012.
– Heliczer et al. Accuracy and precision of noninvasive blood pressure in normo-, hyper-, and hypotensive standing and anesthetized adult horses. J Vet Intern Med, 30:866-872, 2016.

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Este post tem um comentário

  1. Daniela

    Show de aula professor, riquíssima. Tem me ajudado demais a rever tudo que já aprendi, esqueci e precisava com a prática ter bem fundamentado. Adoraria ver aulas de equinos com triple dip, ou monitoração. Gde abraço.

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