MPA – Alfa-2 agonistas e Anticolinérgicos – Anestesia é o Básico #6

Olá tripulantes do NAVE, tudo bem? Nessa segunda parte da webserie Anestesia é o Básico vamos conversar sobre a “Medicação pré-anestésica” (MPA) – anticolinérgicos e agonistas alfa-2 adrenérgicos. Se você não assistiu a primeira parte, sugiro ir lá antes, ok?

A MPA está presente em praticamente todos os procedimentos anestésicos. Ela deve ser adequada para cada paciente e procedimento e estar correlacionada à indução e manutenção. Assim, temos que montar um protocolo anestésico para que ele seja lógico como um todo. As principais funções da MPA são: Auxiliar a contenção do paciente, reduzir o estresse, potencializar os fármacos indutores anestésicos, minimizar os efeitos adversos dos fármacos indutores, propiciar indução anestésica suave, minimizar a atividade reflexa autonômica, promover analgesia e miorrelaxamento.

Anticolinérgicos

Esse grupo é representado principalmente pela atropina, escopolamina e glicopirrolato. Basicamente os anticolinérgicos diminuem a atividade do sistema parassimpático, promovendo taquicardia, diminuição de salivação (xerostomia), midríase e diminuição de motilidade intestinal. Antigamente esses medicamentos eram muito comuns na MPA, pois os anestésicos da época promoviam bradicardia e salivação; com isso tinha-se diminuição desses efeitos. Atualmente não há necessidade de se utilizar anticolinérgicos na MPA, sendo util apenas em situações bem específicas. Eles são úteis durante situações de bradicardia moderada a severa, durante o procedimentos anestésico.

Agonistas Alfa-2 adrenérgicos

Esse grupo é importante pois promove sedação intensa, analgesia e miorrelaxamento, sendo bastante utilizados na MPA. Os principais medicamentos são a xilazina, romifidina, detomidina e dexmedetomidina. Eles diferem entre si pela seletividade aos receptores alfa2 em relação ao alfa1. Apesar do efeito analgésico e sedativo, os agonistas alfa2 promovem considerável alteração no sistema cardiovascular. O aumento da resistência vascular periférica faz com que haja bradicardia reflexa.
Nesse caso, teremos um paciente com hipertensão e bradicardia. Alguns agonistas alfa2, como a xilazina, promovem uma “segunda-fase” de hipotensão mas, nesse caso, o paciente ainda continua com bradicardia. Ainda que promovam excelentes efeitos, são totalmente contraindicados em cardiopatas. Uma outra aplicação dos agonistas alfa-2 adrenérgicos é sob infusão contínua, como adjuvante transoperatório.


Para entender melhor as funções da MPA e as ações dos benzodiazepínicos e fenotiazínicos, assista o vídeo e consulte as referências abaixo!


Pra ler depois:
Carregaro AB. Medicação pré-anestésica. In: Massone F. Anestesiologia Veterinária – Farmacologia e Técnicas. Ed Guanabara Koogan. 7a ed. 2019, 15-20.
Carregaro AB, Freitas GC. Sedativos e cuidados perianestésicos em equinos. In: Luna SPL, Carregaro AB. Anestesia e Analgesia em Equídeos, Ruminantes e Suínos. Ed MedVet. 1a ed. 2019, 281-310.
Carregaro AB, Gehrcke MI, Contenção física e medicação pré-anestésica em ruminantes. In: Luna SPL, Carregaro AB. Anestesia e Analgesia em Equídeos, Ruminantes e Suínos. Ed MedVet. 1a ed. 2019, 311-332.
Cortopassi SRG, Fantoni DT. Medicação pré-anestésica. In: Fantoni DT, Cortopassi SRG. Anestesia em Cães e Gatos. 2a ed. Editora Rocca, 2010. 217-227.
Monteiro ER, Campagnol D, Parrilha LR, Furlan LZ. Evaluation of cardiorespiratory effects of combinations of dexmedetomidine and atropine in cats. J Fel Med Surg, 11: 783-792, 2009. https://bit.ly/37C12uo

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Este post tem 2 comentários

  1. Camila Vieira

    Nossa, adorei! estava cheia de dúvidas, vim parar aqui e já virei fã hahah Parabéns pelo trabalho!

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