Qual a relevância dos exames laboratoriais?

Olá Pessoal,

Seguindo a discussão da última videoaula “Avaliação do Paciente” – Curso Anestesia é o Básico, temos esse interessante artigo, de Alef et al (2008), o qual “questiona” até certo ponto qual a relevância dos exames laboratoriais para a decisão de um protocolo anestésico.

Os autores fizeram um levantamento de 1537 exames de cães os quais seriam submetidos à anestesia. Desses, 84% tiveram os exames totalmente normais. Uma pequena porcentagem (10%) apresentaram alterações hematológicas, mas quase todos próximos do normal. Em relação à ureia e creatinina séricas, menos de 10% apresentaram índices acima dos considerados normais. As enzimas FA e ALT foram consideradas elevadas em 30-40% dos animais, mas com pouca alteração no protocolo anestésico. Em resumo, apenas 0,2% dos animais tiveram seus protocolos anestésicos alterados, em 0,8% as anestesias foram postergadas e em 1,5% os animais necessitaram de terapia pré-operatória. Pouco né?

Pontos a serem considerados:
– A grande maioria dos animais foram considerados ASA 1-2 (85%);
– A média de idade dos animais era de 5,8 anos;
– Não podemos esquecer que tivemos mudanças em alguns protocolos e procedimentos, ainda que baixos

Então, pra que vamos fazer exames?
Particularmente acho importante fazermos exames, pois há uma pequena parcela que pode se beneficiar com isso. Porém, o mais importante, a meu ver, é que teremos um padrão desses exames no pré-anestésico. Essa é a única possibilidade de sabermos se o procedimento teve influência em um animal que possa apresentar problemas no pós-anestésico.

Mas, diante do artigo, que é até certo ponto antigo (mais de 10 anos) e que com certeza evoluímos mais ainda nesse tempo, animais com menos de 2 anos é praticamente nula a necessidade de solicitar exames (pensando em mudanças de protocolo ok?). Animais com mais de 10 anos sim apresentarão problemas visíveis, o que teoricamente já era esperado.

A flexibilização de exames vai do momento, do profissional e das condições. Obviamente o anestesista se sente muito mais seguro com exames pré-operatórios à mão, mas devemos pensar o quanto isso pode influenciar o “valor” do procedimento para um tutor de baixa renda, frente a campanha de castração, por exemplo. Novamente, não sou favorável à negligência de exames… só um caso a se pensar.

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