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Pressão arterial invasiva ou não invasiva? – NAVE TRETAS

Olá, tripulantes do NAVE! A pressão arterial é um dos parâmetros fisiológicos mais importantes na anestesia. Tão importante que decidimos dedicar uma trilogia de vídeos a ela, na playlist NAVE Tretas. Neste primeiro episódio, começamos com uma pergunta que rende muita discussão: Monitorar a pressão de forma invasiva ou não invasiva?

Sabemos que a pressão arterial reflete diretamente o estado hemodinâmico do paciente e é um indicativo confiável de superficialização ou aprofundamento anestésico. Além disso, sua monitoração pode impactar diretamente sobre vários fatores, como a recuperação anestésica e perfusão renal. Por isso vamos discutir a fundo essa manitoração ok? Bora lá!


Pressão arterial invasiva: O padrão-ouro

A pressão arterial invasiva é a forma mais fidedigna e contínua de monitoramento. Para isso, realizamos a punção arterial (arteriopunção). Geralmente usamos a podal dorsal em cães e gatos, a submandibular ou facial transversa em equinos e a auricular em coelhos e ruminantes. Para monitorar podemos fazer de duas formar:

Sistema com manômetro aneroide: Método simples, acessível e confiável. Utilizamos apenas um extensor (podendo ser também um equipo de soro), torneira de três vias e solução heparinizada. A leitura obtida é próxima da pressão arterial média e também conseguimos avaliar a frequência cardíaca, pelo pulso arterial.

Sistema com transdutor de pressão: Esse sistema é acoplado a monitores multiparamétricos. Aqui temos o padrão mais completo: A leitura contínua das pressões sistólica, diastólica e média, além da forma de onda, que é o grande diferencial dessa monitoração.

Avaliação da pressão arterial com manômetro aneroide.
Curva de pressão arterial (vermelho) e valores de pressão arterial sistólica, média e diastólica.

Independente da avaliação, é importantíssimo que a coluna de solução fisiológica ou o transdutor de pressão estejam nivelados na altura do coração, pois só assim teremos valores precisos. No monitor multiparamétrico precisamos, ainda, zerar o transdutor também. Mais detalhes podem ser vistos nesse outro vídeo nosso do NAVE.

Apesar da vantagem de termos valores precisos, nem tudo são flores…

A pressão invasiva exige destreza técnica. Aprender a canular uma artéria não acontece da noite para o dia. É preciso treinar – preferencialmente em pacientes ASA I ou II, antes de partir para casos mais graves. Em pacientes muito pequenos o desafio é maior. Além disso, há risco de hematoma, embolia e contaminação, que podem ser evitados com os cuidados corretos.


Pressão arterial Não Invasiva: Prático, mas limitado

A grande vantagem do método não invasivo é a facilidade de uso. Basta posicionar um manguito com a largura de mais ou menos 40% da circunferência do membro avaliado, ou mesmo na cauda, inflar até a obstrução do fluxo e liberar a pressão, até que se obtenha o pulso novamente. Isso pode ser obtido por meio do método oscilométrico ou por Doppler arterial.

Entre as vantagens temos um método rápido, simples e praticamente sem riscos ao paciente. Como desvantagens, temos uma monitoração em intervalos (de 3 a 5 minutos), além de não termos a onda de pressão arterial, que limita a interpretação clínica das alterações durante a anestesia. Além disso, há outros fatores que podem influenciar essa avaliação, como o tamanho do manguito, a qualidade do manguito e até os medicamentos utilizados, como por exemplo a dexmedetomidina, que promove vasoconstrição arterial e, a depender da intensidade, interferirá na avaliação não invasiva.


E então? Qual método usar?

Na verdade, as duas possibilidades de avaliação são interessantes, mas precisamos ver qual a situação que cabem melhor. Em equinos a pressão invasiva é praticamente mandatória, pois a frequência de complicações na recuperação anestésica estão intimamente associadas à hipotensão intraoperatória.

Já em cães e gatos, podemos, a grosso modo, indicar a avaliação não invasiva para animais ASA I e II. Animais ASA III se possível, prefira a invasiva, principalmente em cirurgias mais longas ou com risco hemodinâmico. Já animais ASA IV e V a monitoração invasiva é a de escolha.


Concluindo…

Não fique preocupado se você só avalia a pressão de modo não invasivo. Mas é importante começar a treinar a arteriopunção, para poder avaliar a pressão invasiva, especialmente em situações especiais, ok? É tudo uma questão de treino!

E, quer saber mais sobre? Então assista ao Vídeo do NAVE!


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